quarta-feira, 11 de maio de 2011

VÍTIMAS APOIAM DÉCADA DO TRÂNSITO E DEFENDEM A LEI SECA

Há 13 anos Jorge Luís Medeiros convive com a perda do filho. Michel Costa Nunes morreu aos 18 anos de idade ao conduzir moto em alta velocidade e sem carteira de habilitação. O acidente aconteceu às 7h, em uma curva perigosa da Estrada União e Indústria. O socorro chegou rápido. Michel ficou nove dias em coma, mas não resistiu.

“Meu filho faria 32 anos no último dia 8. Se estivesse vivo provavelmente já teria casado e até tido filhos. Michel era um menino alegre e cheio de vida. É difícil não poder mais tê-lo junto da minha família”, lamentou o pai Jorge, que tem outras duas filhas.

Histórias como essa estão a cada dia mais comuns quando vivemos em uma realidade onde, pelo menos, 50 mil pessoas morrem por ano nas ruas e estradas do Brasil. No mundo são mais de 1 milhão de vítimas fatais. Para conter esses números foi lançada hoje “A Década de Ação para a Segurança do Trânsito 2011-2020”. A iniciativa tem o objetivo de reduzir pela metade essa estatística, que só preocupa e entristece a sociedade.

A Década, recomendada pela organização das Nações Unidas (ONU) a todos os países membros, foi instituída no país pelo deputado federal Hugo Leal (PSC-RJ) com a aprovação da Comissão de Viações e Transportes do Projeto de Lei 6319/09. Hugo é autor da Lei Seca e presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Trânsito Seguro.

“Eu apoio todas as ações para conscientizar as pessoas para a garantia de um trânsito mais seguro. A Lei Seca já ajuda muito e foi fundamental para salvar milhares de vidas. Mas vejo que ainda faltam investimentos no setor. Quero e vou dar a minha contribuição para a Década”, afirmou o estudante Gustavo Deister Leal.

Gustavo tem 26 anos. Em janeiro de 2008, ao dirigir alcoolizado e sem o cinto de segurança, para ir de uma casa noturna de Itaipava a outra, sofreu um acidente. Felizmente sobreviveu, mas uma lesão grave na medula o deixou em uma cadeira de rodas. O jovem, que se preocupava apenas com os estudos e o trabalho, foi obrigado a se dedicar a tratamentos para a sua recuperação.

Dia após dia, Gustavo vai voltando a sua vida normal. Mas sabe que o tempo não volta: “Fiz tratamento no Sarah e diariamente faço musculação e fisioterapia. Estou me dedicando e buscando apoio para ser atleta paraolímpico. Tenho que me adequar à minha nova realidade. O acidente me deixou mais maduro e serviu de lição para muitos amigos não misturarem álcool e direção”.

As ações e os esforços para a redução pela metade das mortes no trânsito vão de encontro à Lei Seca, que em junho completa três anos. De autoria do deputado Hugo Leal, a lei já salvou mais de cinco mil vidas só no Estado do Rio. “A Lei Seca é excelente e inibe a bebida. Todas as operações recebem o meu apoio, assim como as fiscalizações para impedir alta velocidade e outras infrações. Eu também quero uma década com mais segurança no trânsito”, ressaltou Jorge Luís Medeiros.

Com a Década para um trânsito mais seguro, abraçada também pela Arquidiocese do Rio de Janeiro, cada país poderá criar as suas ações e aprimorar o ambiente do trânsito, de modo a deixá-lo mais seguro e saudável. Pesquisa feita pela OMS em 178 países, com base em dados de 2008, mostrou que mais de 90% das mortes decorrentes de acidentes no trânsito são registradas em países de baixo ou médio desenvolvimento e que metade dessas vítimas são pedestres, ciclistas ou motociclistas. Essa proporção é ainda maior nas economias mais pobres, diz o estudo.

O deputado defende a punição, não apenas dos motoristas infratores, mas também cobra atitudes das autoridades responsáveis pelo trânsito por não aplicarem os recursos necessários em sinalização e manutenção das estradas: “O Governo Federal tem cerca de R$ 500 milhões por ano para investir no trânsito e assim prevenir acidentes. No entanto, a falta desses investimentos resultam num custo muito maior para o país. Os mortos e feridos no trânsito brasileiro custam aos cofres públicos cerca de R$ 30 bilhões por ano”, informou Hugo Leal.

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