“Mulheres de um Rio de Sentimentos” é o nome da exposição aberta na noite do último dia 18, no Sesc Quitandinha, sob a curadoria do artista plástico Cocco Barçante, produção de Michelyne Silveira, da Lausanne – cultura, turismo e entretenimento e chancela do Sesc Quitandinha.
São painéis que retratam bairros do Rio de Janeiro, além de peças de arte, bolsas e puffs, confeccionados utilizando técnicas artesanais como patwork, bordados, aplicação de vidrilhos, pintura em tecido, crochê, recortes e costuras. O resultado é uma teia de componentes que emociona pela criatividade com que cada assunto é tratado, apesar de por detrás haver inúmeras histórias e vivências de uma realidade dura.
Mas isso não foi impeditivo para que houvesse transformação com emoção e como todos foram feitos sob muitas mãos, carregam uma grande carga de energia positiva, deixam claro o bom gosto, o refinamento que cada peça recebe e fazem com que o espectador vivencie uma série de emoções ao se deparar com a singeleza e simplicidade dos trabalhos.
Há dez anos o artista plástico Cocco Barçante iniciou um trabalho junto a diversos grupos de pessoas que vivem em comunidades menos favorecidas, permutando coordenação e orientação, por carinho, dedicação e transformação de vidas, como é o caso do grupo “Nós do Ponto Chic”, formado em sua maioria por mulheres de uma comunidade em Nova Iguaçu e ao qual oferece assessoria e suporte há quatro anos.
De acordo com Catarina, uma das integrantes, o começo foi assustador: “pensei que ele ia trazer ideias muito diferentes e que a gente nem ia conseguir acompanhar. Mas o que ele fez foi nos perguntar o que pretendíamos fazer e o que desejávamos conseguir, na verdade pediu pra gente dizer o que a gente tinha dentro de nós. Sempre tive muita vontade de que o artesanato pudesse ser uma realidade, mas nunca poderia imaginar que chegaríamos onde estamos e isso preencheu um vazio que eu tinha dentro de mim”.

Na abertura Cocco Barçante afirmou que está vivendo um momento muito especial, disse que ao ver o uso da economia criativa no dia a dia das pessoas sabe que ela proporciona uma nova realidade a cada uma, que a valorização de ideias é fundamental. Contou ainda que os artistas abrem caminho para um mundo de inúmeras transformações e que o objetivo é transformar os novos materiais utilizados em ideias e com eles, conseguir realizar sonhos. “Estas mulheres que aqui estão, diante de tantas adversidades, acharam tempo em suas vidas para criar e se dedicar e modificar suas realidades e isso tudo é muito gratificante e emocionante”, acrescentou.
Para Maurício Duarte, professor de estilismo e amigo do artista, a exposição tem tudo a ver com o Brasil, “o que vemos aqui não é só fazer artesanato, trata-se de um movimento de inclusão social. Cocco deu um novo significado a tudo isso, ele está resignificando a cidade, resignificando as comunidades onde trabalha, resignificando o artesanato. Além disso está criando uma nova plateia, está ensinando estas pessoas a ver a arte e a conviver com realidades e espaços como este”.
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