Além de Gaza, completamente arrasada, se haver transformado num verdadeiro cemitério, nem as sepulturas foram respeitadas, e muito menos se conseguiu dar sepultamento digno aos que iam tombando vítimas de armas sofisticadas. Militantes, civis, mulheres e crianças, todos participaram de um mesmo destino: a interdição do último de todos os direitos, como já recordava Antígone, a mulher corajosa criada pelo teatrólogo grego Sófocles.
As cenas que apagaram as luzes do Natal se transformaram num testemunho vivo da insensibilidade e da irracionalidade que continuam movendo os destinos do mundo. É neste sentido que devem ser entendidos os inúteis protestos da ONU e da Cruz Vermelha, e de um grande número de personalidades em todo o mundo. A surdez diante dos protestos revela que a “razão” continua sempre do lado dos mais fortes, e quem teoricamente deveria ser detentor de uma força de paz, por razões conhecidas, se tornou incapaz de qualquer ação mais significativa.
É à luz de tudo isto que se compreende o aparecimento de um certo casuísmo vazio: até que ponto estaríamos diante de reações “desproporcionais” , ou até que ponto estariam sendo utilizadas armas “condenadas” por convenções internacionais. Concretamente isto significa que, ao menos de modo implícito, ainda hoje há quem julgue sustentável a tese de uma guerra justa, ou ao menos de uma guerra limitada.
Infelizmente os últimos dias de 2008 e os primeiros de 2009 nos mostram o quanto estão longe os sonhos messiânicos do capítulo 11 do profeta Isaías, de um tempo no qual o lobo e o cordeiro andarão juntos e as crianças já não precisarão ter medo dos escorpiões. Ou seja, as relações humanas devem ser repensadas a partir de outros pressupostos: não os do ódio e da vingança, mas do amor e da paz.
As cenas de Gaza foram tão chocantes que paradoxalmente se transformaram numa espécie de trágico sinal dos tempos. Se tiver a pretensão de poder continuar se atribuindo o adjetivo “humano”, a espécie humana deverá desistir do caminho das armas, para buscar, com todas as forças, os caminhos da paz. Investir em armas, mesmo naquelas consideradas como “aceitáveis” , não passa de uma ilusão: aquela de se poder estabelecer limites à violência. Hoje mais do que nunca, dada a força dos meios de comunicação, de uma forma ou de outra todos acabam se envolvendo na espiral da violência. Sabidamente esta sempre conduz a um mesmo trágico capítulo final onde não há vencedores, mas apenas vencidos.
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